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A responsabilidade compartilhada na construção da decisão profissional

  • 30 de abr.
  • 2 min de leitura

A decisão profissional do jovem não deve ser tratada como uma responsabilidade exclusiva dele, nem como uma escolha apenas individual. São comuns perguntas como: “o que você vai fazer?”, “já decidiu sua profissão?” e a famosa “o que quer ser quando crescer?”.


No entanto, enxergar esse processo em uma única camada é simplificar uma realidade muito mais complexa, o que pode gerar uma pressão excessiva sobre o jovem. A escolha profissional não ocorre de forma isolada, mas é influenciada por diversos fatores, como experiências, relações e cenários externos. Essas influências podem ser explícitas ou implícitas.


O jovem decide dentro de um contexto, com particularidades sociais, históricas e culturais. A família, os colegas, a escola e a mídia impactam diretamente na construção profissional. O olhar para o tema das escolhas, portanto, deve ser ampliado nesse sentido.

As narrativas que atravessam o jovem e sua escolha profissional são múltiplas, como as ideias sobre o que é sucesso, as oportunidades percebidas no mundo do trabalho e o que seria uma “boa” profissão.


Diante disso, é fundamental que a escola amplie perspectivas e possibilidades, apresentando diferentes trajetórias profissionais, promovendo o contato com realidades diversas do mundo do trabalho, estimulando a exploração de interesses e habilidades, mas também reflexões críticas sobre as influências ao redor. A escola pode, ainda, criar espaços estruturados que auxiliem o jovem a organizar e elaborar suas perguntas, respostas e possibilidades.


A família, por sua vez, costuma ser a primeira referência de trabalho do jovem, e seu papel em sustentar um diálogo saudável — que acolhe, escuta e apoia — é essencial. As conversas podem ajudar o jovem a refletir sobre suas expectativas, valores e caminhos. Decidir não deve ser um ato isolado, mas uma responsabilidade compartilhada.


A partir dessa ótica coletiva, o debate sobre a autonomia do jovem ganha novos contornos, mais robustos e maduros. À medida que ele amplia sua consciência e compreende o contexto em que está inserido e o mundo ao seu redor pode desenvolver maior autonomia, apropriando-se do que faz sentido para si e decidindo como deseja construir seu futuro profissional.


A autoria da decisão, portanto, se constrói com tempo, diálogo, trocas, apoio e orientação.


Quando escola, família e jovem reconhecem seus papéis nesse processo, a decisão deixa de ser uma pressão individual e passa a se tornar um percurso de construção compartilhada. Mais do que uma resposta pontual, o objetivo passa a ser desenvolver no jovem a capacidade de pensar, revisar e sustentar suas escolhas ao longo da vida.


Fontes: A influência dos pais no processo de escolha profissional dos filhos: uma revisão da literatura. | Autores: Almeida, F.H., Melo-silva, L.L.


Orientação profissional: abordagem sócio-histórica. | Autor: Silvio Bock

 
 
 

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